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A demora desta vez foi com o texto que comenta as escolhas. O Podcast Reggae chegou antes, sob influência do programa Tambores, da rádio Oi FM, que ouvi dia desses num domingo ensolarado em que fiquei preso no apartamento.

Escolhi mais três músicas para somar à seleção que pesquei do programa no rádio. Uma delas abre o Podcast: "Brixton, bronx ou baixada", é composição de Marcelo Yuka e Nelson Meirelles, antigo baixista da banda e produtor dos dois primeiros cds do Cidade Negra, substituído por Lauro Farias a partir do Disco Rappa Mundi.

Tem uma história longa na internet sobre o começo do Rappa, que conta essa parceria com Nelson Meirelles. E endereço é: http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Rappa.

Segunda música da seleção é uma das minhas cantoras preferidas atualmente. Rira Ribeiro nasceu em São Benedito do Rio Preto, interior do Maranhão. Ainda pequena mudou-se para São Luís, onde, aos 15 anos, começou a cantar. Montou um coral, Vira Mundo, só com música popular e chegou a fazer vocal para Josias Sobrinho e César Teixeira.

Só em 97 o primeiro CD foi lançado, pela gravadora Velas. O CD trouxe as influências de Rita no Maranhão, como a música Cocada, de Mestre Antônio Vieira, além de composições de Zeca Baleiro e Chico César. No segundo CD, em 98, não faltaram Zeca, Chico e Antônio Vieira, mas Rita abriu espaço para algumas novas compositoras que teve contato em São Paulo. Você ouve "Filhos da Precisão", de Erasmo Dibel, na sua voz particular.

"A Flecha e o Vulcão", de Toni Garrido, Da Gama, Lazão e Bino Farias, aparece em 2000, compondo o sétimo CD da banda Cidade Negra (Enquanto o Mundo Gira), talvez aquele que mais tenha se afastado do estilo reggae, beirando ali o Pop. "Vou fazer filhote no Brasil, lavar a alma!" é a frase que esteve na boca das pessoas por um tempão.

Na seqüência, apelo para o clássico "Extra" (1983), que o Gil canta no disco Kaya N'Gandaya Ao Vivo, do ano de 2003. Pesquisando pra escrever esse Podcast, descobri uma história engraçada de um personagem bem conhecido pelos nordestinos. Quase ao final do show Kaya n’Gandaya, Gilberto Gil lembrou de história, ocorrida em 1975, durante turnê do show Refazenda pelo Nordeste.

"Na estrada, coloquei para tocar na Veraneio em que viajávamos uma fita com músicas de Bob Marley. Ao ouvir, Dominguinhos (o sanfoneiro que à época tocava na banda do cantor) comentou: 'Isso é que é reggae. Pra mim, isso é um xotezinho safado'."

Francisco César Gonçalves, nascido em janeiro de 1964 na cidade de Catolé do Rocha (450 km de João Pessoa), é o mais novo dos sete filhos de Dona Etelvina e Seu Francisco. Morou com a família até os 8 anos na zona rural da cidade, mas tão logo foi colocado numa escola de freiras largou a enxada para se dedicar aos estudos.

Aos 16 anos, Chico César mudou-se para João Pessoa e entrou no grupo Jaguaribe Carne, que fazia música e poesia experimentais nas universidades e já apareceu aqui no Podcast, lá atrás. O CD Cuscuz Clã saiu em 1996 e Chico César regravou, agora em estúdio, sucessos "À primeira vista" e "Mama África", o que as fez conquistarem alcance nacional. O disco também marcou as primeiras parcerias do paraibano com o maranhense Zeca Baleiro, uma delas a música "Mandela", que você ouve nesta seleção.

A última música é uma homenagem esse ninja que está presente na carreira de tanta gente boa. Zeca Baleiro gravou "Dodói" no disco Por Onde Andará Stephen Fry?, produzido por Marco Mazzola (1997) e vendeu mais 70 mil cópias, um número muito significativo para um álbum de estréia. Precisa dizer mais? Curta sem moderação.

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A retomada do Podcast Todos os Nomes acontece em grande estilo, costurando uma longa história musical cinqüentenária, contada através da influência do samba rock. É, você já deve ter desconfiado, estou falando mesmo de Jorge Ben (Jor) e dessa mania de suingar que ele institucionalizou no Brasil e em outros países. Tem uma reca de gente que mexe com isso, que avança, retorna, repete aquilo que muita gente conheceu através dos clássicos. No entanto, não é minha intenção fazer uma homenagem à Jorge Ben (Jor) - essa ainda vai acontecer, mas não agora. Logo, misturei outras coisas.

A primeira da seleção é dele, Cadê o Penalty (A Banda do Zé Pretinho, 1978). No ano de lançamento deste disco, Jorge Ben (Jor) tinha uma carreira de 15 anos e já tinha rodado o mundo. Em 1972, ele excursionou pelo Japão, França (em Cannes) e pela Itália despachando malandragem com uma afinação bem peculiar. Com ele nas apresentações estava o Trio Mocotó, parceiros desde o encontro na boate Jogral, em São Paulo, mas que tocaram juntos no IV Festival Internacional da Canção (1969), interpretando a música "Charles anjo 45". Dizem que o nome do Trio é criação de Jorge Ben (Jor) e Nereu, em homenagem ao mocotó das moças que desfilvam de minisaias. Nereu deixou o Trio Mocotó e lançou Samba Power (2005), de onde vem a segunda da seleção, Vem Sambar.

A influência do samba rock de Jorge Ben (Jor) se multiplica nos ritmos e ganha novas cores, por exemplo, com o sambalanço do Funk Como Le Gusta, surgido na periferia de São Paulo no final da década de 1990. Aqui, na voz de Paula Lima, tem mais expressão a música Meu Guarda-chuva, do disco Roda de Funk, reeditado em 2000 pela Trama. É explícita mesmo a mestiçagem com compositores como Carlos Dafé, Bebeto e Wilson Simonal. Qualidade desde muito tempo.

Mas é do filho do Simonal uma frase emblemática: o futuro pertence à jovem vanguarda. Max de Castro abre o disco Orchestra Klaxon (que já apareceu aqui no Podcast) com essa música. Nada mais curioso, porque vanguarda existe sempre, mesmo no passado (olhando o horizonte e desequilibrando o presente). Max vem nesta seleção com Assim É... Se Lhe Parece (Balanço das Horas, 2006).

Antes dele, na vanguarda, estiveram Os Novos Baianos que - aqui no Podcast - aparecem na seqüência com a música Tinindo Trincando (Acabou Chorare, 1972). Na época que gravaram esse seu segundo disco, eles passaram a morar comunitariamente em um sítio localizado em Vargem Grande (RJ), onde ensaiavam, compunham e jogavam futebol.

Finalizando o Podcast, um craque da rabeca que nasceu na cena do Mangue Beat, andou o mundo ao lado da guitarra e dos samplers do DJ Dolores e hoje se aventura numa carreira solo, premiada com a seleção para a edição 2007 do Projeto Pixinginha. Maciel Salú começou com Os Quentes do Forró e o Sonho da Rabeca, ao lado do seu pai e dos seus irmãos.

Mas o caboclo encontrou seu caminho com a banda Terno do Terreiro e já lançou o segundo disco, Na Luz do Carbureto (2006). A música que encerra tem o mesmo nome do disco. Quanta vanguarda cabe em tanta simplicidade?

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O tema escolhido é "Filosofia Vã". O nome, que está no refrão da música de Chico César, dá o tom nas letras das músicas escolhidas para este podcast: todas com uma abordagem social.
Quem abre a seleção é Luiz Melodia, que gravou em 1997 o disco "14 Quilates", depois de seis de anos sem lançar disco com canções inéditas. A música "Pra quê?" é dele e de Ricardo Augusto. Logo em seguida, tem Chico César e sua voz caceteira. "Clandestino" é do disco "Aos Vivos", de 1995.
"Relampiando" é de Paulinho Moska e Lenine. Nessa versão, gravada por Lenine no disco "Na Pressão", de 1999, Dominguinhos tem grande participação. A voz dele, no finalzinho da música, dá um toque ainda mais bonito. Assim como a participação de Milton Nascimento na música "Baião de Câmara" (de Thomas Saboga e Thiago Amud), interpretada por Simone Guimarães. A canção está no recém-lançando "Flor de Pão" (2007), seu sexto CD.
Dos vizinhos Jaguaribe Carne, aqui da Paraíba, "Robin Hood Pós, Pois", do disco "Vem no Vento", de 2003. Eles também estão na coletânia "Music from Northeast". "Aluga-se", de Raul Seixas e Cláudio Roberto, fecha a seleção. O clássico que foi regravado pelos Titãs está no disco "Abre-te Sésamo", de 1980.

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Minha relação com a música é realmente uma coisa pessoal. É mais uma relação com os artistas, com as histórias das composições, com o lance de como ele chegou ali. Não sei... gosto das coisas mais inesperadas e de fazer historinhas com as canções. Não me contento apenas com ouvir, quero saber como foi gravado, quando, quem participou, essas coisas que jornalista quer saber pra poder falar na roda de amigos e se amostrar bem muito. No caso desse Podcast. Eu resolvi criar um enredo, uma coisinha boba mesmo, só para ligar uma canção à outra. A primeira delas, “Incompatibilidade de gênios” traz o maravilhoso Carlos Cachaça com Clementina de Jesus, essa entidade do samba. A composição está no álbum Clementina convida Carlos Cachaça de 1979 e é de autoria de João Bosco e Aldir Blanc. Aí começa a minha historinha. Um casal se separando. Vamos pra frente. Fiquei pensando que depois dessa megera na vida dele, descrita na canção anterior, Carlos Cachaça bem que merecia uma namorada, uma dessas de arrasar quarteirão. Pensei então na “A História Da Morena Nua Que Abalou As Estruturas Do Esplendor Do Carnaval” de Max de Castro, do álbum Orquestra Klaxon, de 2002. Imagina, o Cachaça com uma morena dessas! Depois, uma pausa para a reflexão e a separação de verdade, decisão em conjunto, com “Tive que Fugir” da pernambucana Eta Carinae, novo projeto do músico e produtor cultural Dirceu Melo, que participou ativamente do movimento mangue na banda Jorge Cabeleira. O álbum é de 2006, Mirando a Estrela. É claro que alguém ia se arrepender no meio do caminho. E foi a mulher, a suposta megera. Eu escolhi a voz singular de Isaar de França, quando ainda era uma das integrantes do Comadre Fulozinha, no Tributo Reiginaldo Rossi de 2000. A música “Desterro” é um verdadeiro lamento, pedindo para voltar. Como homem decidido, o marido não topou. Preferiu ficar na vida que estava, solteiro, livre, leve e solto. Junio Barreto ilustra bem essa sensação de bem estar ao lado dos amigos em “Amigos Bons” de 2003. Humilhada, apelando para tudo, a mulher apela para o terreiro e pede a Rita Ribeiro que a socorra e peça em “Iansã” força para conseguir o que quiser. A canção de Tecnomacumba, 2006, fecha o podcast com boas guitarras e um feitiço dos melhores. Saravá.

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Inauguro maio com a experiência do primeiro áudio no Podcast do Todos Os Nomes. Experiência mesmo, sem edição, sem voz explicando as faixas, só a colagem de músicas boas, diversificadas, de agora e de ontem, para começar com o agrado aos ouvidos. Esse podcast inaugural tem seis músicas.

A primeira é de Alceu Valença (Pare, Repare, Respire), do disco Maracatus, Batuques e Ladeiras, de 1994. Depois tem Virgínia Rosa, que aparece com Quero Estar Só (de Candeia), do disco Samba a Dois (2006). As duas vozes femininas que se seguem já estiveram juntas na banda Comadre Florzinha. Alessandra Leão canta Desperta! do disco Brinquedo de Tambor (2006). Primeiro disco solo cheio de percussão. Abre caminho para Isaar França, que canta Satuba, em seu disco solo Azul Claro (2006). Quinta música nesta lista inaugural é DonaZica com o cd Composição (2003). O grupo tem à frente Iara Rennó, Anelis Assumpção e Andréia Dias. Para fechar bem, Los Sebosos Postizos. Quero Esquecer Você, de Jorge Ben, esteve no repertório do show que os moços do Nação Zumbi e Mundo Livre S/A fizeram no Sesc Pompéia, em 2004.

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